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sexta-feira, 15 de junho de 2018

As Sementes..



Um homem trabalhava em uma fábrica que se localizava longe da sua casa, por isso ele precisa viajar de ônibus cerca de uma hora todos os dias para chegar ao seu trabalho.
Na terceira parada, sempre entrava uma senhora que se sentava no banco à janela. Ela abria a bolsa, tirava um pacotinho e passava a viagem toda jogando alguma coisa para fora do ônibus. A cena se repetia dia após dia.

Até que certa vez, curioso, o homem lhe perguntou: "O que a senhora joga pela janela?".
- Jogo sementes.
- Sementes? Sementes de quê?
- De flores. É que eu olho para fora e a estrada é tão vazia. Eu gostaria de viajar vendo flores coloridas por todo o caminho... Imagine como seria bonito nós todos olhando para fora e vendo a estrada florida.

- Mas as sementes caem no asfalto, são esmagadas pelos pneus dos carros, devoradas pelos passarinhos. A senhora acredita mesmo que estas flores vão nascer algum dia aí na beira da estrada?
- Meu filho, acredito mesmo! É por isso as jogo pela janela, pois mesmo sabendo, não me importo com as que vão se perder nos pneus dos veículos, nos bicos dos pássaros ou com as que vão morrer no asfalto. Eu me importo com as que vão rolar para terra na beira do asfalto e com o tempo vão brotar.
- Mesmo assim, demoram para crescer, e precisam de água.
- Ah, eu faço a minha parte. Sempre há dias de chuva, e se eu não jogar as sementes, aí mesmo é que as flores nunca vão nascer.

O homem desceu logo adiante, achando que a senhora já estava meio "caduca". O tempo passou. Um dia, no mesmo ônibus, sentado à janela, o homem ficou impressionado ao olhar para fora e ver flores na beira da estrada, muitas flores. A paisagem estava colorida, perfumada, muito bonita. Ele se lembrou da senhora, procurou-a no ônibus e não a encontrou. Perguntou ao cobrador que conhecia todo mundo: "por que a senhora das sementes havia sumido?".

- Ela faleceu na semana passada.


O homem voltou ao seu lugar e continuou olhando pela janela a paisagem florida.

Quem diria, as flores brotaram mesmo, pensou.
Mas de que adiantou o trabalho daquela senhora?
A coitada morreu e não pode ver esta beleza toda!

Neste instante, o homem escutou uma risada de criança, no banco da frente. Uma garotinha apontava pela janela, entusiasmada: "Olha papai! Que lindo! Quanta flor pela estrada. Como se chamam aquelas flores? São maravilhosas!!!"

Então, o homem entendeu o que a velhinha tinha feito. Mesmo não estando ali para contemplar as flores que tinha plantado, a velhinha devia estar feliz. Afinal, ela tinha dado um presente maravilhoso para as pessoas.

No dia seguinte, o homem entrou no ônibus, sentou-se numa janela e tirou um pacotinho de sementes do bolso...

E assim, deu continuidade à vida, semeando o amor, a amizade, o entusiasmo e a alegria.

“O futuro depende das nossas ações no presente. E se semeamos boas sementes, os frutos serão igualmente bons.”

Vamos semear nossas sementes agora!

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Os lençóis da Vizinha



Um jovem casal, que acabara de se unir em casamento, resolveu começar a nova vida em uma cidadezinha do interior.

Todos os dias em que a jovem dona de casa resolvia lavar os seus lençóis, sua vizinha, uma dona de casa já experiente, falava ao seu marido:

- Querido, veja só os lençóis da nossa vizinha! Como estão amarelos! Será que ela não tem sabão para lavá-los? Se ela quiser, eu mesmo os lavo.

Seu marido não falava nada...

Todas as vezes que a jovem vizinha lavava as suas roupas, a experiente dona de casa fazia o mesmo comentário.

Um certo dia, ao levantar, quão grande foi a surpresa da experiente dona de casa ao ver que os lençóis de sua nova vizinha estavam brancos. Então, comentou com seu marido que finalmente a vizinha havia comprado sabão e conseguiu deixar os seus lençóis mais alvos que a neve!!!

Ele, porém, sem mostrar nenhuma maravilha, respondeu:

- Não querida, é que hoje eu levantei mais cedo e lavei as vidraças da nossa casa...


Autor desconhecido

quarta-feira, 27 de julho de 2016

CARTA A UM JOVEM



Para Refletir:

CARTA A UM JOVEM

Caro jovem, quero que você me ouça antes de me usar.

Quero que você me conheça, que saiba quem sou eu, o que faço, como me comporto dentro das pessoas, como você irá se sentir depois do meu contato, da minha ilusão.

Eu não tenho nome e nem sobrenome. Sou batizada a toda hora e a todo instante por aqueles que me usam.

Não tenho amigos, pois consigo destruir todos aqueles que se aproximam de mim. Quando não o faço completamente, eu os deixo sem cérebro, sem coração e sem pensamento.

Os que me tomam como companheira são aqueles de coração amargurados, abandonados por todos, aqueles que se sentem só e que procuram em mim uma fuga para seus problemas, fuga ilusória e dolorosa.

Um dos meus contatos preferidos são as veias.

Através delas eu consigo mergulhar em seu sangue, que me levará a uma viagem por todo o seu corpo.

Atravesso seus membros, canais e artérias. Passo pelo sistema nervoso, deixando aí a minha marca. Enquanto eu passeio, você vive as ilusões...

Através desse rio de sangue eu consigo atingir o cérebro e aí a minha marca é mais forte, pois no cérebro vou roubar o pensamento, a memória, a razão. Por fim descerei até o coração e você saberá realmente quem sou. Aliás, não sei se haverá tempo para isso, pois talvez você já estará morto.

Pronto, já lhe contei minha história. Estou pronta para lhe tirar a paz, a liberdade e a vida.


Atenciosamente: A Droga

terça-feira, 30 de abril de 2013

A Vaca e o Precipício




Era uma vez, um sábio chinês e seu discípulo. Em suas andanças, avistaram um casebre de extrema pobreza onde vivia um homem, uma mulher, 3 filhos pequenos e uma vaquinha magra e cansada.

Com fome e sede o sábio e o discípulo pediram abrigo e foram recebidos. O sábio perguntou como conseguiam sobreviver na pobreza e longe de tudo.

- O senhor vê aquela vaca ? - disse o homem. Dela tiramos todo o sustento. Ela nos dá leite que bebemos e transformamos em queijo e coalhada. Quando sobra, vamos à cidade e trocamos por outros alimentos. É assim que vivemos.

O sábio agradeceu e partiu com o discípulo. Nem bem fizeram a primeira curva, disse ao discípulo :

- Volte lá, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali em frente e atire-a lá em baixo.

o discípulo não acreditou.

- Não posso fazer isso, mestre! Como pode ser tão ingrato? A vaquinha é tudo o que eles têm. Se a vaca morrer, eles morrem!

O sábio, como convém aos sábios chineses, apenas respirou fundo e repetiu a ordem:

- Vá lá e empurre a vaquinha.

Indignado porém resignado, o discípulo assim fez. A vaca, previsivelmente, estatelou-se lá embaixo.

Alguns anos se passaram e o discípulo sempre com remorso. Num certo dia, moído pela culpa, abandonou o sábio e decidiu voltar àquele lugar. Queria ajudar a família, pedir desculpas.


Ao fazer a curva da estrada, não acreditou no que seus olhos viram. No lugar do casebre desmazelado havia um sítio maravilhoso, com árvores, piscina, carro importando, antena parabólica. Perto da churrasqueira, adolescentes, lindos, robustos comemorando com os pais a conquista do primeiro milhão. O coração do discípulo gelou. Decerto, vencidos pela fome, foram obrigados a vender o terreno e ir embora.

Devem estar mendigando na rua, pensou o discípulo.

Aproximou-se do caseiro e perguntou se ele sabia o paradeiro da família que havia morado lá.

- Claro que sei. Você está olhando para ela.

Incrédulo, o discípulo afastou o portão, deu alguns passos e reconheceu o mesmo homem de antes, só que mais forte, altivo, a mulher mais feliz e as crianças, jovens saudáveis. Espantado, dirigiu-se ao homem e disse :

- Mas o que aconteceu ? Estive aqui com meu mestre alguns anos atrás e era um lugar miserável, não havia nada. O que o senhor fez para melhorar de vida em tão pouco tempo?

O homem olhou para o discípulo, sorriu e respondeu:

- Nós tínhamos uma vaquinha, de onde tirávamos o nosso sustento. Era tudo o que possuíamos, mas um dia ela caiu no precipício e morreu. Para sobreviver, tivemos que fazer outras coisas, desenvolver habilidades que nem sabíamos que tínhamos. E foi assim, buscando novas soluções, que hoje estamos muito melhor que antes.



segunda-feira, 22 de abril de 2013

O Papagaio Marrom - Padre Leo




Padre Léo conta a estória de três filhos que ficaram multimilionários e queriam agradar sua octogenária mãezinha que faria aniversário no mês seguinte.

Após uma reunião de família para organizar uma festa, cada um teve uma grande ideia  mas não quiseram compartilhar um com o outro, pois cada um queria dar-lhe o melhor presente, valorizando o esforço e dedicação que sua Mãe teve para cria-los dando lhes condições de agora serem bem sucedidos na vida e na sociedade.

O primeiro, decidiu comprar-lhe uma grande mansão, substituindo aquela casinha humilde que eles moravam desde criança, então buscou nas imobiliárias a melhor casa da cidade, a comprou e contratou um mordomo e empregados para cuidar da casa, porque afinal de contas sua mãe merecia muito mais.

O segundo, decidiu comprar-lhe uma limusine, com um motorista, para que pudesse levar sua mãe onde quer que ela quisesse ir.

O terceiro, foi um pouco mais além, não queria dar-lhe simplesmente um bem material, conhecendo bem a sua mãe, sabendo que ela era muito religiosa, rezava sempre, gostava muito de ler a palavra de Deus e com a idade avançada isto se tornara muito difícil para ela.

Ele havia ouvido falar que existia uma ave raríssima, “Um Papagaio Marrom”, que fora treinado por uns Monges Beneditinos que moravam num convento no alto de uma montanha e que esse famoso Papagaio Marrom sabia recitar a bíblia todinha de cor e salteado, era só dizer o capitulo que ele recitava versículo por versículo.    Moveu mundos e fundos e se encheu de explicações e justificativas e foi buscar a tal ave maravilhosa.

Lá chegando, se ofereceu para comprar o bichinho falador e estava disposto a pagar uma quantia generosa por ele, depois explicou seus grandes motivos, dizendo que sua mãe já estava velhinha, amava muito a Deus, foi fiel sua vida toda, já estava quase morrendo e blá … blá… blá…, Os Monges não queriam vender o Papagaio, diziam eles ser uma ave raríssima, que o amavam muito, levara anos treinando-o para que decorasse toda a bíblia e que lhes faria muita falta agora que já se haviam apegado a ele, que era como uma pessoa que fazia parte da família, e blá… blá… blá…, realmente deu muito trabalho convencer aqueles monges, mas ele conseguiu. Trouxe então o bichinho falador, experimentando seus dotes e já o treinando para dar uma linda mensagem para sua mãe.

No dia do aniversário, toda os parentes e amigos estiveram presentes, uma grande festa, com banquete, missa, orquestra, homenagens e etc… cada um ofereceu seu lindo presente, se encheram de orgulho com a alegria de sua Mãe, mais o dia foi cheio, muitas tarefas, muitos parentes e amigos para conversar e depois deixaram sua mãe descansar.

No semana seguinte retornaram, para saber o que sua mãe havia achado dos maravilhosos presentes, e lhe perguntaram.

E aí mãezinha, o que achou do meu presente ?

Milton, Meu Filho Você gastou muito dinheiro, comprando esta casa enorme, muitos quartos, muitos empregados, isto dá muito trabalho… Para uma velhinha que mal anda do quarto para a sala. Achei muito bom, mas vou preferir morar em minha casinha mesmo.

Marvim, Meu filho, para que aquele carrão, com aquele motorista paralisado, parece mais uma estátua de pedra. Já não tenho mais aonde ir, meus parentes e amigos já morreram quase todos e toda vez que preciso vocês me atendem, com carinho, dispensei o motorista e não vou usar aquele carro que só dará despesas.

Melvim, meu filho seu presente  realmente foi maravilhoso, você me conhece bem e soube escolher exatamente o que eu mais gosto,  já havia muito tempo que não ganhava um presente tão bom como este, nunca comi um caldinho de frango tão gostoso como o daquele franguinho marrom.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Eu não vou me preocupar - Padre Leo




Gosto muito da história daquele senhor mineiro que tinha uma paciência impressionante. 

Ele estava sentado em um bar, quando aconteceu um pequeno tumulto. Todos naquele bar silenciaram quando o noticiário da rádio local passou a informar sobre a possível Terceira Grande Guerra Mundial. Após a notícia o tumulto foi geral. 

Os comentários eram os mais diferentes e absurdos possíveis. 

Alguns afirmavam que os Estados Unidos já tinham vários mísseis apontados para o Oriente Médio. Outros diziam que o problema maior seriam os países comunistas. Um outro afirmou que a guerra começou no Golfo Pérsico. E assim por diante. 

Cada um emitia sua opinião sobre o assunto. Menos o 'seu' Quinzinho, que continuava tranqüilamente sentado em seu cantinho. 

Houve gente que saiu desesperada para buscar a família nas cidades vizinhas. Outro foi recolher o gado, outro ainda saiu desesperado para buscar o filho que estava jogando futebol. 

O dono do bar ficou impressionado com a calma e a paciência do 'seu' Quinzinho, e chegou a pensar que o coitado fosse surdo. Afinal de contas, como alguém poderia ficar tão tranqüilo diante de uma notícia tão terrível? 

'O senhor escutou a notícia pelo rádio?' Perguntou o comerciante. 

Ao que 'seu' Quinzinho responde: ' Escutei sim. Parece que espocou a Terceira Guerra Mundial. Eu vi mesmo um comentário sobre este assunto!' 

Então o comerciante se encabulou de vez. 'Como é que o senhor pode ficar aí sentado, quietinho, enquanto o mundo se apavora só com a possibilidade de estourar essa guerra? O senhor não percebe as terríveis conseqüências? De uma hora pra outra o mundo pode se acabar. Nós vamos ficar sem alimento, sem transporte e, o pior, como vamos manter a paz? E o senhor aí sossegado, parece que nem está se importando com o assunto! Seu Quinzinho, é a Terceira Guerra Mundial! As outras duas foram terríveis. Imagine agora uma guerra com todos esses armamentos modernos! Vai ser o fim do mundo!'

Calma e tranqüilamente, 'seu' Quinzinho respondeu:

'Olha, sr. Francisco, só podem acontecer duas coisas: 
ou a notícia é verdade ou é mentira. Então, se for mentira, eu não vou me preocupar; se for verdade, só podem acontecer duas coisas: ou o Brasil entra na guerra, ou o Brasil não entra na guerra.

Se o Brasil não entrar na guerra, eu não vou me preocupar; se o Brasil entrar na guerra, só podem acontecer duas coisas: ou eles convocam o exército de Minas Gerais, ou eles não convocam o exército de Minas Gerais. 

Então, se não convocarem o exército de Minas Gerais, eu não vou me preocupar; agora, se convocarem o exército de Minas Gerais, só podem acontecer duas coisas: ou eles chamam o Batalhão de Itajubá, ou eles não chamam o Batalhão de Itajubá. 

Então, se não chamarem o Batalhão de Itajubá, eu não vou me preocupar; se chamarem o Batalhão de Itajubá, só podem acontecer duas coisas: ou eles chamam somente os soldados atuais ou eles não chamam somente os soldados atuais. 

Então, se só chamarem os soldados atuais, eu não vou me preocupar; agora, se eles não chamarem só os soldados atuais, só pode acontecer duas coisas: ou eles convocam os que já deram baixa, ou eles não convocam os que já deram baixa. 

Se não convocarem os que já deram baixa, eu não vou me preocupar; se convocarem os que já deram baixa, só podem acontecer duas coisas: ou eles me chamam ou eles não me chamam. 

Então, se não me chamarem, eu não vou me preocupar. Se me chamarem, só podem acontecer duas coisas: ou eu me apresento ou eu não me apresento. 

Se eu não me apresentar, eu não vou me preocupar. Se me chamarem, só podem acontecer duas coisas: ou eu vou ou eu não vou. 

Então, se eu não for, eu não vou me preocupar; agora, se eu for, só podem acontecer duas coisas: ou eles me colocam no combate ou eles não me colocam no combate. 

Então, se eles não me colocarem no combate, eu não vou me preocupar; agora, se me colocarem no combate, só podem acontecer duas coisas: ou me colocam mais à frente do pelotão, ou me colocam mais para trás. 

Então, se me colocarem mais pra trás, eu não vou me preocupar; agora, se me colocarem mais pra frente, só podem acontecer duas coisas: ou eu sou ferido, ou eu não sou ferido. 

Então, se eu não for ferido, eu não vou me preocupar; agora, se eu for ferido, só podem acontecer duas coisas: ou eu sofro um ferimento grave ou eu sofro um ferimento leve. 

Então, se for leve, eu não vou me preocupar; agora, se for grave, só podem acontecer duas coisas: ou eu morro ou eu não morro. 

Então, se eu não morrer, eu não vou me preocupar; agora, se eu for morrer mesmo, não adianta nada eu ficar preocupado agora!'

(Pe. Léo, SCJ.)
(Seja feliz todos os dias. Pag. 14-16)


A nossa vida precisa estar nas mãos de Deus. Porque se deixar levar pelo 'mundo' de preocupações que só levam a stress, depressão, separação, desunião? É necessário na vida se importar com o que realmente é importante e deixar passar o que passa, pois tudo na vida passa, Só Deus Não Passa!


Audio Youtube

domingo, 12 de agosto de 2012

A Promessa



Na Romênia , um homem dizia sempre a seu filho:

-Haja o que houver, eu sempre estarei ao seu lado.

Houve nesta época um terremoto de intensidade muito grande, que quase destruiu totalmente as construções lá existentes.

Nesta hora um homem estava em uma estrada, e ao ver o ocorrido, correu para casa e verificou que sua esposa estava bem, mas seu filho estava na escola.

Foi imediatamente para lá e a encontrou totalmente destruída. Não restou, uma única parede de pé.

Tomado de uma enorme tristeza, ficou ali ouvindo a voz feliz de seu filho e sua promessa (não cumprida) "Haja o que houver, eu estarei sempre ao seu lado".

Seu coração estava apertado e sua vista apenas enxergava a destruição. A voz de seu filho e sua promessa não cumprida , o dilaceravam.

Mentalmente percorreu inúmeras vezes o trajeto que fazia diariamente segurando a mãozinha dele. O portão (que não mais existia), corredor...

Olhava as paredes, aquele rostinho confiante... Passava pela sala do 3° ano, virava o corredor e o olhava ao entrar. Até que resolveu fazer em cima dos escombros, o mesmo trajeto.

Portão, corredor, virou a direita e parou em frente ao que deveria ser a porta da sala. Nada! Apenas uma pilha de material destruído. Nem ao menos um pedaço de alguma coisa que lembrasse a classe. Olhava tudo desolado.

E continuava a ouvir sua promessa: "Haja o que houver, eu sempre estarei com você". E ele não estava...

Começou a cavar com as mãos. Nisto chegaram outros pais, que embora bem intencionados, e também desolados, tentavam afastá-lo de lá dizendo:

- Vá para casa. Não adianta, não sobrou ninguém.

- Vá para casa.

Ao que ele retrucava: Você vai me ajudar?

Mas ninguém o ajudava. Pouco a pouco, todos se afastavam. Chegaram os policiais, que também tentaram retirá-lo dali, pois viam que não havia chance de ter sobrado ninguém com vida. Havia outros locais com mais esperança.

 Mas este homem não esquecia sua promessa ao filho, a única coisa que dizia para as pessoas que tentavam retirá-lo de lá era :

- Você vai me ajudar ?

Mas eles também o abandonavam. Chegaram os bombeiros, e foi a mesma coisa...

- Saia daí, não está vendo que não pode ter sobrado ninguém vivo? Você ainda vai por em risco a vida de pessoas que queiram te ajudar, pois continuam havendo explosões e incêndios.

Ele retrucava :

- Você vai me ajudar?

- Você esta cego pela dor, não enxerga mais nada. Ou então é a raiva da desgraça.

- Você vai me ajudar?

Um a um todos se afastavam. Ele trabalhou quase sem descanso, apenas com pequenos intervalos mas não se afastava dali. 5, 10, 12, 22, 24, 30 horas. Já exausto, dizia a si mesmo que precisava saber se seu filho estava vivo ou morto. Até que ao afastar uma enorme pedra, sempre chamando pelo filho ouviu:

- Pai ...estou aqui!

Feliz, fazia mais força para abrir um vão maior e perguntou:

- Você esta bem?

- Estou. Mas com sede , fome e muito medo.

- Tem mais alguém com você?

- Sim, dos 36 da classe 14 estão comigo, estamos presos em um vão entre dois pilares. Estamos todos bem.

Apenas conseguia ouvir seus gritos de alegria .

- Pai , eu falei a eles: Vocês podem ficar sossegados, pois meu pai irá nos achar. Eles não acreditavam, mas eu dizia a toda hora: Haja o que houver, meu pai, estará sempre a meu lado.

- Vamos, abaixe-se e tente sair por este buraco, meu filho .

- Não! Deixe eles saírem primeiro... Eu sei que,  haja o que houver... Você estará me esperando!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O Terço



Era uma vez uma mulher muito humilde e simples que vendia verduras num bairro de pessoas ricas. As verduras eram colhidas em sua pequena propriedade, que ficava distante da cidade, a algumas horas de caminhada.
Todos os dias ela saía de madrugada. Equilibrava o balaio de folhas na cabeça. Com o terço na mão, caminhava rezando. A distância se tornava breve... Os moradores da cidade aguardavam as verduras fresquinhas de Dona Maria.
Um dia ela perdeu seu terço na casa de um freguês. Voltou, casa por casa, procurando-o. Quando chegou a àquela onde havia perdido o terço, o homem veio com ele na mão, zombando:
- Ah! Ah! Dona Maria! Você perdeu seu Deus...
- Eu? Eu não!
- Aqui, seu Deus! (mostrando o terço).
- Graças a Deus que o Senhor o encontrou! Muito obrigada.
- Por que a senhora não joga fora este colar de bolinhas e carrega uma bíblia?
- Ô, seu doutor, eu não aprendi a ler... É com o terço que eu medito a palavra de Deus...
- Medita a palavra de Deus com uma cordinha cheia de bolinhas?
- Sim, seu doutor... Olha aqui a cruzinha... Ela me lembra que Jesus derramou seu sangue e morreu pregado numa cruz para nos salvar. Essa primeira conta grande me lembra que há um só Deus. Estas três pequenas me lembram as três pessoas da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Esta outra maior, eu rezo a oração que Jesus ensinou a seus discípulos, o Pai-Nosso, O terço tem cinco mistérios que fazem lembrar as cinco chagas de Nosso Senhor Jesus pregado na cruz, e em cada mistério há dez Ave-Marias, que me fazem lembrar os dez mandamentos da lei de Deus transmitida a Moisés no monte Sinai. Eu rezo quatro terços por dia, que, somando, formam o rosário de Nossa Senhora. O primeiro rezo de manhã. Contemplo os mistérios gozosos, lembro-me da humildade de Maria, seu Sim a Deus por ser a escolhida... Antes do almoço medito os mistérios da luz lembrando-me das alegrias e dos desafios que a vida oferece quando fazemos o bem e do trabalho que Jesus realizou durante os três anos de vida pública... Depois de sesta, eu contemplo os mistérios dolorosos, penso na dura caminhada de Jesus para o Calvário... Quando chega à tardinha, eu rezo os mistérios gloriosos, agradecendo por mais um dia de trabalho e pensando na vitória de Jesus sobre a morte.
Os olhos de dona Maria brilhavam enquanto explicava sua fé, já os olhos do ouvinte lacrimejavam pela emoção da escuta e acolhida da fé, e meio embaraçado o homem pediu:
- Eu não sabia.... Dona Maria, me ensina a rezar assim?!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Vaso Trincado



Existia, num lindo jardim, num canto escondido entre os arbustos, um vaso trincado...

Certo dia, uma pessoa apareceu no jardim e encontrou o vaso, assim como estava, trincado. Ao vê-lo, acolheu-o com amor e cuidado, exclamando:

“ Querido vaso, eu vou precisar de ti.”

O vaso trincado, envergonhado, baixinho e sem jeito, respondeu:
“Sou um vaso trincado e não sirvo para nada.”

Aquela pessoa insistiu:
“ Assim mesmo, como és, vou precisar de ti. Eu poderia plantar uma bela flor no jardim e ela cresceria... Todos, contemplando-a, a admirariam. Vou precisar de ti! Dentro de ti plantarei uma flor e assim embelezarás outros lugares...”

O vaso estava preso em seus defeitos... Mas ele possuía tantas qualidades...
Sua tristeza o dominou e ele respondeu:
“Eu não irei embelezar! Logo verão minha rachadura... E a beleza da flor desaparecerá!”

Mas a pessoa foi insistente:
“Meu querido vaso, não precisas ter medo! Confia em mim! Abandona-te! Plantarei uma muda dentro de ti. Ela estenderá suas flores sobre teu lado trincado.”

O vaso, ainda um pouco trêmulo e envergonhado, arriscou-se a pronunciar o seu “SIM”, dizendo:
“Aceito tua proposta. Sou e estou disponível para o que queres de mim! Toma-me como sou...”

Ouvindo isso, o senhor, com todo carinho, tomou o vaso trincado em suas mãos. Colocou no seu interior terra boa... Plantou uma linda muda de flor... Esta trazia no seu interior o poder do Criador...

O vaso, percebendo que, apesar de trincado, fora escolhido para gerar em si a vida, exclamou:
“Senhor, não deixeis jamais morrer esta flor, pois, sem ela, sou um vaso sem vida e sem valor. Obrigado por valorizar-me como sou! Teu poder fez brotar em mim a maravilha da VIDA, da flor... Por favor, ajuda-me a fazer gerar sempre mais vida...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Um "algo a mais"



Um homem foi chamado para pintar um barco. Enquanto trabalhava, notou um vazamento de tinta: era um buraco no fundo do barco. Quando terminou a pintura, recebeu seu dinheiro e se foi.

No dia seguinte, o proprietário do barco procurou o pintor e lhe entregou um cheque de grande valor. O pintor ficou surpreso e disse: - O senhor já me pagou pela pintura do barco.

- Mas isto não é pelo trabalho de pintura - disse o homem - é por ter consertado o vazamento do barco.

- Foi um serviço tão pequeno que não quis cobrar. - acrescentou o pintor - E não posso receber uma quantia tão alta por algo tão insignificante!

- Meu caro amigo, - disse o proprietário do barco - deixe-me contar-lhe o que aconteceu. Quando pedi a você que pintasse o barco, esqueci de mencionar o vazamento. Quando o barco secou, meus filhos o pegaram e saíram para uma pescaria. Eu não estava em casa naquele momento. Quando voltei e notei que haviam saído com o barco, fiquei desesperado, pois me lembrei que o barco tinha um furo. Grande foi meu alívio e minha alegria quando os vi retornando, sãos e salvos. 

- Então, examinei o barco e constatei que você o havia consertado. Percebe o que fez? Salvou a vida de meus filhos! Não tenho dinheiro suficiente para pagar-lhe pela sua boa ação, que demonstra sua competência e seu "algo a mais" tão importante.

Muitas vezes limitamos nossas ações apenas à nossa obrigação. Analise seu dia e verá muitas oportunidades para fazer um “algo a mais”.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Um conto de Natal



É apenas um pequeno envelope branco pendurado entre 
os galhos da nossa árvore de Natal. Não tem nome, 
não tem identificação, não tem dizeres. Se esconde entre os 
galhos da nossa árvore há cerca de dez anos.

Tudo começou porque meu marido Mike odiava o Natal. 
Claro que não era o verdadeiro sentido do Natal, mas seus 
aspectos comerciais: gastos excessivos, a corrida frenética 
na última hora para comprar uma gravata para o tio 
Harry e o presente da vovó, os presentes dados com 
uma ansiedade desesperada porque não tínhamos 
conseguido pensar em nada melhor.

Sabendo como ele se sentia, um certo ano decidi deixar 
de lado as tradicionais camisetas, casacos, gravatas e coisas 
no gênero. Procurei algo especial só para o Mike. A 
inspiração veio de uma forma um tanto incomum. 
Nosso filho Kevin, que tinha 12 anos na época, fazia 
parte da equipe de luta livre da sua escola.

Pouco antes do Natal, houve um campeonato especial
contra uma equipe patrocinada por uma igreja da parte 
mais pobre da cidade. A equipe era formada, em sua maioria, 
por negros. Esses jovens, que usavam tênis tão velhos que 
tínhamos a sensação de que os cadarços eram a única 
coisa que os segurava, contrastavam de forma gritante com 
nossos filhos, vestidos com impecáveis uniformes azuis e 
dourados e tênis especiais novinhos em folha.

Quando o jogo começou, fiquei preocupada ao notar que a 
outra equipe estava lutando sem o capacete de segurança 
que tinha como intuito proteger os ouvidos dos lutadores. 
Era um luxo ao qual a equipe dos pé-sujos não podia se dar.

No fim das contas, a equipe da escola do meu filho acabou 
arrasando com eles. Ganharam em todas as categorias de 
peso. E cada um dos meninos da outra equipe que levantava 
do tatame se virava com fúria, fazendo pose de valente, 
procurando mostrar um orgulho de quem não 
ligava para a derrota.

Mike, que estava sentado ao meu lado, balançou a cabeça, triste: 
"Queria que pelo menos um deles tivesse ganhado", disse. 
"Eles têm muito potencial, mas uma derrota dessas pode 
acabar com o ânimo deles.

" Mike adorava crianças - todas as crianças - e as conhecia
 bem, pois tinha sido técnico de times mirins de futebol, 
basquete e vôlei. Foi aí que tive uma idéia para o presente 
dele. Naquela tarde, fui a uma loja de artigos esportivos 
e comprei capacetes de proteção e tênis especiais que
 enviei, sem me identificar, à igreja que 
patrocinava a equipe adversária.

Na véspera de Natal, coloquei o envelope na árvore 
com um bilhete dentro,contando ao Mike o que tinha feito 
e que esse era o meu presente para ele. O mais belo 
sorriso iluminou o seu rosto naquele Natal. 
Isso se deu em todos os anos consecutivos.

A cada Natal, eu seguia a tradição: uma vez comprei 
ingressos para um jogo de futebol para um grupo 
de jovens com problemas mentais, outra vez enviei um 
cheque para dois irmãos que tinham perdido a casa 
num incêndio na semana antes do Natal e assim por diante. 
O envelope passou a ser o ponto alto do nosso Natal. 
Era sempre o último presente a ser aberto na manhã de 
Natal. Nossos filhos, deixando de lado seus novos 
brinquedos, ficavam esperando ansiosamente o pai pegar 
o envelope da árvore e revelar o que havia dentro.

As crianças foram crescendo e os brinquedos foram sendo
 substituídos por presentes mais práticos, mas o 
envelope nunca perdeu seu encanto. Esse conto não 
acaba aqui. Perdemos nosso Mike ano passado por causa
 de um câncer. Quando chegou a época do Natal, 
eu ainda estava sofrendo tanto que mal consegui montar
 a árvore. Mas, na véspera de Natal, me vi colocando 
um envelope na árvore. Na manhã seguinte, havia 
mais três envelopes junto a ele. Cada um de nossos 
filhos, sem o outro saber, tinha colocado
 um envelope na árvore para o pai.

A tradição cresceu e, um dia, se expandirá ainda mais 
e nossos netos se reunirão em volta da árvore, ansiosos para 
saber o que há no envelope retirado da árvore por seus pais. 
O espírito de Mike, assim como o espírito do Natal, 
estará sempre conosco.

Vamos todos lembrar de Jesus, 
que é o motivo dessa comemoração 
e o verdadeiro espírito do Natal 
este ano e sempre.

 Fonte:  Do livro Histórias para Aquecer o Coração, de Jack Canfield
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